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Em todas as áreas do conhecimento humano a questão do tempo é debatida e “vivida”. Não serei injusto se afirmar que a filosofia contribui de forma substancial para o debate e aprofundamento da questão. Desde Aristóteles, passando por Santo Agostinho e chegando a Heidegger com suas discussões sobre Ser e Tempo.

Assim foi e será por um período longo de nossa história. O cenário é desenhado dentro das universidades, através de investimento em pesquisa e pessoas construindo gradativamente uma esfera intelectual para pensar tais questões.
Com as devidas proporções, até aqui está tudo bem. Mas como fica essa questão do tempo fora da universidade, no cotidiano?
Constantemente ouvimos as expressões “estou sem tempo”, “tempo é dinheiro”, “hoje não posso”, “agora não dá mais tempo”, “seu tempo acabou”. A reação linguística desses interlocutores denunciam a crescente época do “sem tempo”. Até os intelectuais que antes praticavam o ócio criativo, agora negam o ócio fazendo negócio com seu saber, adaptando-se à vida frenética patrocinada pelo capitalismo e seus devaneios consumistas.
O mercado da falta de tempo e do medo de não aproveitar bem a vida cria um exército de pessoas preocupadas com o futuro e anestesiadas pela realidade que passa em alta velocidade. Em função do tempo cada vez mais curto, tudo se tornou “urgente”. Não se pode mais pensar para ter (comprar), porque não dá mais tempo… Se ficar para amanhã perde a graça. Apesar das preocupações com o futuro, a real tentativa é decidir tudo no presente. É como se o mundo acontecesse em um minuto e no outro seguinte não existisse mais. Observe a efemeridade, presente principalmente nas músicas e roupas. A pergunta que fica: quanto tempo você tem para mudar isso?
Desconectar para conectar (na vida)
Não sei quando exatamente a gente se perde mas sei que a gente se perde. Faz parte da vida se perder pelo caminho.

Já não lembro mais quando foi a última vez que dormi, no mínimo, 7 horas por noite. Estou sempre alternando entre ficar conectada e estar na balada mais legal do momento. Perdi quilos, ganhei olheiras, ando com dores no corpo inteiro mas, garanto, perdi coisas muito mais importantes que tudo isso que, teoricamente, posso recuperar.
Perdi um almoço com as amigas porque não poderia perder o melhor horário de ler meus blogs favoritos, tuitar e ler tweets bem na hora do almoço. Perdi também um carinho gostoso da minha cachorra, que fica sempre do meu lado enquanto digito, chorando e pedindo desesperadamente com seus olhos um pouco de atenção.
Perdi minha mãe sentada no sofá, me contando as últimas, descansando os pés no meu colo e rindo pra mim da vida que, às vezes, é tão hilária de tão estranha. Perdi a tarde assistindo filme com meu irmão e o novo bebê que está a caminho no ventre da cunhada. Perdi a conversa do trabalho, as amigas dialogando entre si sobre qual será o nome do mais novo integrante do mundo, que virá de uma delas.
Deixei de viver o profundo, optando pelo raso que os vínculos criados nas redes sociais as vezes são. Já me livrei também de altas ”latadas” graças a web, mas entrei em outras tantas também por conta da mesma… Ganhei amigos que ficaram para a vida toda e também me iludi com o termo amizade com outros que julguei serem pra vida toda mas que morreram em mim quando nasceu o primeiro sorriso (só na cara) que não abraçou alma alguma
Não quero desmerecer o que acontece no “virtual”, até porque precisamos disso. Estou apenas constatando que a gente se perde.
De repente, começamos a ser influenciados por coisas e pessoas que, sequer, condizem com o que realmente acreditamos. Mas tem também aqueles que chegam para nos fazer rever todos os conceitos, e isso é bom. O ruim é quando perdemos a nossa essência, quer seja para sermos aceitos num grupo ou para parecermos legais, sabe-se lá. Ruim é quando a gente deixa passar a vida por coisas que serão só coisas. Quem nunca deixou isso acontecer que atire a primeira pedra, ou melhor, que nos conte a fórmula.
A gente se perde. Sempre se perde. É preciso se perder algumas vezes na vida para conhecer outros caminhos e redescobrir coisas que o nosso coração (intuição ou algo do tipo) grita. O problema mesmo é se perder a tal ponto de não conseguir voltar, sem sequer conseguir se lembrar do que foi antes de tudo.
Sei que a vida online me parece só um brinquedo com utilidades amplas e eu preciso, urgentemente, tirá-la do volante da minha história. Não que seja assim um vício para ser abandonado, só que… a vida de verdade está acontecendo no “offline” e eu e mais um bom tanto de gente, não estamos percebendo.
Quanto a mim, vou agora dar um abraço na minha mãe que, parece que faz um século que não a vejo. E só porque quase nunca “desgrudo” daqui.
Crédito da foto: Cupcakes2
O endeusamento da tosquice
Eu acho um “pé no saco” gente politicamente correta. O pior é que eu, hora ou outra, sou assim. Tem gente que enche o saco por causa de um palavrão, que fica de mimimi quando falamos de sexo, que acha que a mulher tem que ser isso e aquilo outro, que desce a lenha em quem “mostra a bunda” mas morre de vontade de fazer o mesmo. Sim, estou falando de quem diz “fulano é louco, largou tudo pra viajar” mas, por dentro, tá louco pra repetir a mesma loucura que julgou errada no outro.
Enfim, o melhor nome que encontrei pra esse tipo é “gente politicamente correta”, ou talvez a palavra “hipócrita” também lhes caia bem. A típica pessoa tradicionalzinha me entedia, na melhor das hipóteses, e me dá uma vontade muito grande de mandar ir… “tomar café”. O fato é que, vez ou outra todos nós somos politicamente corretos em alguma coisa ou assunto.
Nos últimos tempos tenho observado opiniões publicadas nas redes sociais. Não sei se influenciada por pessoas que admiro e acompanho, meu humor adquiriu uma acidez. Confesso que sempre desejei preparar este texto, sobre este assunto.
Por que “cargas d’água” a tosquice faz tanto sucesso na nossa sociedade atual? A vida “real” (offline) é uma desgraça total assim que precisamos ir às redes sociais curtir, compartilhar e aplaudir coisas sem noção?
Não, por mais que não pareça estou apenas refletindo. Não somos mais bebês a engatinhar nesse chão e acho que já é hora de partirmos para a “papinha consistente”. Assim como todo mundo, também falo muita asneira nas redes sociais. Eu também penso “vaca” quando alguma garota fica de papo furado com quem de alguma forma seja meu (sim, sô ciumenta).
Tento entender onde e quando aprendemos a nos subdividir o suficiente para curtir e compartilhar coisas que não têm a ver com o que pensamos de fato. Sim, esse é o argumento de muitos humoristas do tal “humor negro”.
Há algum tempo, vi um tweet de uma garota dizendo “lugar de idoso é em casa cuidando de neto e coisas do gênero e não passando na minha frente em fila” (foi mais ou menos uma coisa do gênero, pra pior). A guria grilou por ter ficado para trás na hora que o caixa do banco, ao invés de chamá-la, chamou um senhor preferencialmente. Obviamente, respondi o quanto achava aquilo idiota e, mais óbvio ainda, levei uma “porrada” de volta. Não me arrependo. A tal garota é inteligente. Quer dizer, é o que se imagina pelos posts que faz e as pessoas com as quais conversa. Não a sigo, nem acompanho nas redes sociais.
Fico me perguntando o porquê de uma garota “tão massa” não utilizar seu humor inteligente de outra maneira. Sei lá, gosto e visão todo mundo tem. Porém, o humorista Rafinha Bastos amargou a repercussão de sua piada infame sobre a cantora Wanessa Camargo e seu bebê (e que pedido de indenização é esse, Wanessa?) . Vários brasileiros concordaram que o cara passou da dose mais uma vez. Houve quem não achasse a mesma coisa e, acredite, entendi a linha de raciocínio. Até porque o povo gosta do que é tosco. Busque na web e você vai ver o que dá mais pageviews no Youtube ou quais posts recebem mais comentários. Então, é assim Brazíu?!
O que é tosco é engraçado (o contrário também). E há também quem faça piada sobre idosos, pedofilia, câncer e afins. Não precisamos nos tornar uma sociedade “molho de chuchu” mas até quando vamos nos comportar como bebês? É hora de maturidade na rede. De repente, vejo gente bacana citando continuamente coisa sem noção e, já que somos o que consumimos…
Bem, eu uso redes sociais. Eu vivo levando na cara pelas coisas que acredito ou a maneira como me expresso. Estou repensando muitos conceitos “retrógrados” e revendo minhas ideias. É a vida e ainda bem que a gente muda.
É hora de deixar o endeusamento da tosquice. Se a vida fosse uma selva, as redes sociais seriam um caldeirão no qual somos cozidos. Está na hora de escolhermos propositalmente qual o tempero que vamos colocar e, consequentemente, consumir.
Universalidade, individualidade e autonomia
A modernidade está em crise. Não é suficiente para responder às angústias humanas. O projeto moderno fracassou como possibilidade de emancipação do ser humano. Vivemos em uma sociedade altamente tecnológica e científica que não sabe para onde caminha. Estamos perdidos!
O projeto moderno em questão é o Iluminismo, e tem como base: a universalidade, a individualidade e a autonomia.
A universalidade refuta particularidades como as raciais, religiosas, culturais ou nacionais e tem como fim todos os seres humanos. Na prática, a ideia baseia-se na ligação que o indivíduo tem com a nação livre, onde têm acesso à divisão internacional do trabalho e, por possuírem os mesmos talentos, conseguem igual acesso às riquezas. Tal ideia combatia, em especial, o Imperialismo e modelos econômicos (como o Feudalismo) baseados em condições desiguais de acesso ao sistema econômico. O universalismo defendido pelo Liberalismo atinge a economia, a política, o saber e a moral.
A individualidade não se refere às pessoas niveladas por um processo de massificação de sentidos (todos querem as mesmas coisas) mas às pessoas concretas.
A individualidade defendida pelo Liberalismo baseia-se no valor do indivíduo, partindo do princípio que este poderia desenvolver suas faculdades de forma universal, individual e autônoma. Essa defesa do valor do indivíduo significava uma crítica ao Antigo Regime, pois a individualidade aí se colocava como um privilégio de classe.
Mas a sociedade capitalista estimulou o hiperindividualismo e tudo aquilo que o acompanha, como o hedonismo, o egocentrismo e o delírio consumista.

O oposto desse hiperindividualismo, tão perverso quanto ele, é o antiindividualismo – a busca das raízes e de uma identidade coletiva. Ou seja, contrariando o princípio do racionalismo que anuncia o individualismo como a libertação do ser humano das entidades coletivas.
Assim como o Iluminismo atacou as explicações religiosas do mundo e acabou perdido, corremos o risco de começarmos a combater o individualismo, hedonismo, egocentrismo e o delírio consumista de forma tão radical, buscando raízes de uma identidade coletiva, que poderemos contribuir com a reconstrução do modelo de sociedade feudal.
Por último, a autonomia que faz referência à qualidade do ser humano de pensar por si mesmo.
A autonomia no ato de pensar liberta a razão da autoridade e dos preconceitos forjados nas opiniões sem fundamentação cientifica, privilegiando assim a educação e a ciência. Não aconteceu assim.
Hoje os recursos tecnológicos e científicos defendidos por essa corrente de pensamento nivelou a sociedade, permitindo que se desenvolvesse um modelo social altamente complexo e consumista. O mais trágico: esse modelo contribui para o total nivelamento das consciências, onde um aparelho industrial dita a forma de ser e estar no mundo.
Rock in Rio no conforto da minha casa, obrigada.
Ah, a internet. Essa linda, facilitadora da nossa vida. Essa conquistadora de corações e atenções. Essa prática.
Que a internet veio democratizar o conhecimento, já não há mais dúvidas. Que ela veio para fazer as redes sociais virarem um megafone da sociedade, sua salvação e perdição, também não há. Que veio para eternizar momentos com seus aplicativos práticos, como o Instagram (do brasileiro Mike Krieger), também.

Claro que a Internet também veio para fazer com que “percamos” horas a fio em frente a uma tela (de smartphone, PC ou tablet), consumindo e compartilhando compulsivamente informação. A Internet é como um prato de melado para os que nunca foram ouvidos se lambrecarem expressarem e surtarem extrapolarem. É a chance de exposição extrema, como o caso do “sanduíche estranho” que repercutiu na rede. Fora isso, é inegável a praticidade que a Internet trouxe para algumas coisas.
Ontem terminou mais uma edição do Rock in Rio. Vários mortais não foram ao festival, inclusive eu. Mas isso não significa, nem de longe, que deixamos de aproveitar cada momento do espetáculo, que tirou a galera do chão por lá, por aqui e “tuconté” lugar.

Alguns canais transmitiram os shows quase 24 horas por dia mas a quantidade de quem viu pela web “não está no gibi”.
Pela Internet, temos a vantagem de assistir, comentar, trocar informações, conhecer detalhes dos bastidores, etc. Tudo isso dá um gostinho diferente ao Rock in Rio.
A troca de energia através de alguns caracteres, as risadas pelos comentários non gratos, enfim, esse mix que a internet nos proporciona é impagável.
Sim, a internet às vezes afasta quem está perto e aproxima quem está longe. Só que na maioria das vezes ela une com uma força bem maior que qualquer abraço.
Dos rockeiros com ‘R” maiúsculo, dou o destaque para Slipknot – banda um tanto quanta estranha para os que não estão acostumados e System of a Down, que levou os fãs ao delírio (particularmente não faz muito meu estilo, nenhuma das duas, mas foi bonito ver a galera cantando junto). Não tive o prazer de ouvir Stevie Wonder porque o cansaço me abraçou e dormi em frente à TV antes de o show começar (neste dia acompanhei via Multishow e mobile).
O poder que a Internet tem, para unir pessoas, foi mais forte na noite de sábado, durante o show do Coldplay. Inúmeras pessoas assistiram e compartilharam suas opiniões sobre o show nas redes sociais. Eu, viciada conectada que sou, acompanhei tudo de perto sentindo não só a energia contagiante da banda mas também as reações de cada um através das músicas.
Se a música tem o poder de mudar humor, rumos e atitudes, a internet tem o dom de permitir que essa mudança não seja solitária.
Rock in Rio em casa foi uma experiência incrível. Mas Rock in Rio na internet foi algo quase transcendental.
Rock in Rio no conforto da minha casa. Internet querida, obrigada.
Crédito das fotos: Rodrigo Esper/Grudaemmim
Como está seu rosto?
“O inferno são os outros”. A frase de Sartre aponta para uma direção: sempre estamos preocupados com “o Outro”, mesmo que seja para imputá-lo responsabilidades sobre nossos fracassos.
Partindo da ideia de preocupação com o Outro, talvez seja pertinente uma pergunta: como fica nossa relação com o Outro nas redes sociais? Será que temos um rosto definido diante desse “outro” que nem sempre conhecemos ou nos escondemos atrás de um perfil falso?
Falando filosoficamente, o Outro é responsável por nossa emancipação como Ser. É no contato com a diferença do Outro que desenvolvemos a linguagem e nos qualificamos para desvendar o nosso Eu, presente em cada rosto que nos aparece estranhamente distorcido pela falta de conhecimento do Outro.
Linguagem, contato e experiência com o Outro tornam infinitamente possível o desvelamento do Rosto. Então, temos que produzir interações sociais para ancorar essa necessidade de conhecimento de nós mesmos, através da experiência com o Outro.
Para tal conversa, poderíamos eleger qualquer tipo de interação mas sabemos que a internet tornou-se, nos últimos anos, uma grande praça para discussão, criação e disseminação de ideias ao redor do mundo. Assim, podemos privilegiar as relações nascidas nesse espaço como possibilidade de conhecimento do Outro.
Diante dessas ideias, um exercício possível é pensarmos como está nosso Rosto nas interações virtuais. De que forma queremos que o Outro nos conheça? Talvez pareça uma pergunta sem nexo com a realidade. Porém, se olharmos para nossa experiência virtual perceberemos pessoas que se comportam em ambientes virtuais como se nunca fossem voltar ao real. Não carregam em si a preocupação de que, suas atitudes com o Outro, no ambiente virtual, podem reverberar em consequências no mundo real.
O Outro sempre será “o outro” em suas dimensões virtuais ou não. Ele sempre merece cuidado, porque é no cuidar do Outro que o Rosto se revelará.
Crédito da foto: Ben Fredericson
O dia em que você descobrir que é rico
Não, você não ganhou na loteria. A não ser que você seja dono de um frigorífico, tenha 66 anos e more em São José do Herval, no Vale do Taquari – Rio Grande do Sul.
Mas você também é rico. E quanto mais usa sua ‘riqueza’ sem um propósito sensato, mais destroi o planeta e a si mesmo. Vou explicar…
Sem apelar para o discurso do caos, é notável que o planeta está em crise. Não é preciso pensar muito para perceber que algo está errado. Efeito estufa, terremotos, chuva ácida, aquecimento global, revolta da natureza, consumo desequilibrado, ar poluído, crise da água… A lista é grande!
Certa vez, alguém disse que “o fato de você não poder fazer tudo não quer dizer que você não pode fazer alguma coisa”.
Mas a maioria está esperando que alguém faça alguma coisa. Outros deixam a situação à mercê da sorte, confiando que “o acaso” resolverá… Também temos iniciativas como o One Day on Earth, SWU Music + Arts Festival 2010 (que termina hoje) e o End Poverty 2015, projeto organizado pela ONU, que estabelece 8 desafios globais para o fim da pobreza até 2015. A lista de iniciativas também é grande!
Entendo: problemas globais exigem soluções globais. Mas o que falar das “pequenas soluções” encontradas dentro da nossa casa?
Alguns dias atrás, faltou água em mais de 160 bairros de Goiânia. Nos sete anos em que moro na cidade, nunca vi coisa igual. O calor trazido pela baixíssima umidade do ar e a falta de chuva contribuíram para que a Saneago racionasse a água. Foram 3 dias consecutivos.

No mesmo dia, fiquei refletindo sobre a palavra “benção”. Quando leio na Bíblia, em I Timóteo (primeira carta do apóstolo Paulo enviada a Timóteo), relembro que Deus abençoa pessoas. E faz isto por uma razão: para que possamos compartilhar com outros. Falando mais francamente? Ajuda é bem aceita em quase toda situação, cultura, credo, princípio, ideologia ou estilo de vida.
“Aos que têm riquezas neste mundo, que não sejam orgulhosos e que não ponham a sua esperança nessas riquezas, pois elas não dão segurança alguma. Que eles ponham a sua esperança em Deus, que nos dá todas as coisas em grande quantidade, para o nosso prazer! Mande que façam o bem, que sejam ricos em boas ações, que sejam generosos e estejam prontos para repartir com os outros aquilo que têm. Desse modo, eles juntarão para si mesmos um tesouro que será uma base firme para o futuro. E assim conseguirão receber a vida, a verdadeira vida”.
(I Timóteo 6:17 a 19 – BLH)
Sempre pensei que essas palavras fossem para outras pessoas, ou seja, para os ricos (daquela ou desta época). A maioria tem dinheiro, propriedades, automóveis. Aliás, 10% da população mundial tem carros enquanto os outros 90% apenas ficam “olhando a roda girar”. E não importa qual o carro…
Cerca de 1 bilhão de pessoas no mundo não têm água potável. Você e eu pegamos um copo, abrimos o filtro e temos água para matar a sede, cozinhar, provavelmente desperdiçar. Essas pessoas devem olhar para nós e pensar: “Uau, eles são ricos. Deve ser muito bom viver assim”.
O problema da água é apenas um entre vários. Muitos estão morrendo de fome neste exato momento e outros não terão o que comer hoje.
Talvez você olhe ao redor e pense: “isso não é pra mim porque conheço pessoas que têm muito mais”. Só que para o resto do mundo, você e eu somos a “última moda”. Eles dariam tudo para estar em nosso lugar, andando em nosso carro, morando em nossa casa, tendo nosso emprego, família e vida social. A boa notícia é: se ainda há dor na consciência, então há o que ser feito. O que parece pouco e ultrapassado para nós, é suficiente para o resto do mundo.

Não se iluda! Tudo o que você e eu possuímos é uma dádiva. O estudo, o emprego, a saúde, os bens materiais, a família… nada é mérito humano. Alguns até dão “um jeitinho” de “fazer por merecer”. Entretanto, tudo que temos, se é que temos mesmo, é porque Deus nos concedeu. Inclusive, o próprio fôlego que você acabou de gastar usar.
Fica uma pergunta: Por que Deus, com toda a Sua bondade, não ajuda o resto do mundo? Ora, Ele está ajudando. Toda vez que você reconhece o quanto é falível, Deus entra em ação. Afinal, Ele não vai fazer aquilo que podemos fazer com nossas forças. O Todo-Poderoso tem este título porque é eternamente especialista em fazer o que ninguém mais faz.
Crédito das imagens: Stuart Pilbrow, Daniel Mitsuo e Sherman Tan.
O valor de seus amigos
Certo rei preparou uma grande festa para o casamento de seu filho. Quando tudo estava pronto, mandou seus empregados chamarem os convidados para a celebração, mas eles não quiseram vir.
Preocupado com uma possível falha na comunicação, chamou outros empregados e disse-lhes: “Digam aos convidados que tudo está preparado para a festa. Já matei os bezerros, os bois gordos e tudo está pronto. Venham para a festa!”. Mas os convidados não se importaram com o convite e foram tratar dos seus próprios negócios: um foi para a fazenda, outro para o armazém, etc. Outros ficaram com tanta raiva dos empregados e seus recados, que bateram neles e os mataram.
Foi aí que o rei ficou com tanta raiva, e mandou matar aqueles assassinos e queimar a cidade deles. Depois chamou os seus empregados e disse: “A minha festa de casamento está pronta, mas os convidados não a mereciam. Saiam pelas ruas e convidem todas as pessoas que vocês encontrarem, tanto os bons quanto os maus”. Os empregados fizeram o que o rei mandou e o salão ficou cheio de gente. [...]
Este acontecimento é uma parábola da Bíblia (Mateus 22:1 a 14), contada por Jesus Cristo. Apesar do contexto estar relacionado com o Reino do Céu, quero falar de amizade. Quantos amigos você tem? Quais são verdadeiros? Quem esteve estará presente nos momentos mais importantes de sua vida? E para quem você pode emprestar horas inteiras de uma madrugada sem sono?!
150 + 1 = 150
Nos anos 90, Robin Dunbar, professor da Universidade de Oxford, desenvolveu uma teoria segundo a qual o cérebro humano permite apenas que tenhamos círculos sociais com 150 amigos, não interessa o quão sociáveis nós sejamos. Nós encontramos essas pessoas ao menos uma vez por ano e nos importamos com a vida delas. E mesmo que nossos amigos ultrapassem a barreira dos mil, a teoria se estende até as redes sociais, como Facebook ou Orkut. Se a teoria virou realidade, 150 pessoas é o limite máximo de círculos sociais que conseguimos ter.
Na parábola bíblica, o rei pensava que todos eram seus amigos mas ninguém veio pra dar esta certeza. Claro que uma festa não podia medir o grau de carinho que tinham por ele, mas eram pessoas para as quais ele havia dado seu coração e, no mínimo, esperava um gesto de gratidão num momento tão importante. Que trágico!
Quando penso que os relacionamentos de hoje são “permutas de interesses perecíveis”, me assusto. É possível contar nos dedos as pessoas de confiança. Pensando bem, a própria confiança nos decepciona. Quando estamos mais seguros de nossas relações sociais, sem avisar nem perceber, nos afastamos… E procuramos razão para as incertezas dentro de nós.
Talvez, por isso, as pessoas prefiram animais aos homens; ou queiram um cachorro em vez de um relacionamento sério.
“Para um cão, você não precisa de carrões, grandes casas ou roupas de marca. Símbolos de status não significam nada para ele. Um graveto é o suficiente. Ele não se importa se você é rico ou pobre, inteligente ou idiota, esperto ou burro. Um cão não julga os outros por sua cor, credo ou classe, mas por quem são por dentro. Dê seu coração a ele, e ele lhe dará o dele. De quantas pessoas você pode dizer isso? Quantas pessoas fazem você se sentir raro, puro e especial? Quantas pessoas fazem você se sentir extraordinário?” [1]
Que você reflita no valor da amizade, não se feche em fraquezas egocêntricas e tenha pessoas para compartilhar tempo, espaço e experiências. Que seja tenha verdadeiros amigos e, quando se forem, ainda não consiga contar nos dedos.
Que sejam preciosos como ouro e suficientes como ‘gravetos’…
Crédito da imagens: JDConway, EJP Photo e GrantsViews.
[1] Extraído do best-seller e filme homônimo “Marley & Me: Life and love with world’s worst dog”, de John Grogan, (2005).
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