E-doso, nova geração?
“Já se foi o tempo, em que vovó ficava sentada, assistindo a programação enfadonha da televisão nas tardes de sábado. Passou a época em que vovô tinha que se deslocar até a agência do banco mais próximo, para manter a pontualidade de seus pagamentos bancários. Nos dias de hoje, vovó consulta os sites de notícias e lê suas matérias favoritas usando a internet. Além disso, conversa através do Skype e economiza na conta telefônica. Assim, o vovô não fica no pé dela e ela pode passar horas conversando com quem estiver online, sem problema algum. Ela só precisa deixar o vovô usar o computador, para acessar o site do banco. Como ele já sabe que a conta do telefone virá mais baixa, ele nem se importa em esperar. Mas, eles já estão pensando em comprar mais um computador. Provavelmente um tablet. Eles dizem que as letras são maiores e mais fáceis para ler”.

A história acima não é dos tempos da “carochinha” não. Pelo contrário, é a mais pura e atual realidade. A terceira idade está cada vez mais conectada e antenada, e já representa 7% dos internautas no Brasil.
Mais do que isso, além de navegar apenas 40 minutos menos do que os mais jovens, 71% dos idosos declaram acessar o Facebook, Twitter ou Orkut. As pesquisas ainda mostram que a maioria deles, com 78%, utiliza a rede para pesquisar sobre viagens, usar os serviços dos bancos, ver e-mails e ler notícias e 72% para realizar compras através do e-commerce. Os dados são da QualiBest.
Dados e mercados ávidos por mais consumidores à parte, acho interessante falar sobre a postura e a mudança de comportamento deste pessoal experiente, em relação à tecnologia e à inovação. Acredito que um dos grandes fatores que contribuem para este engajamento digital é a proximidade com filhos e netos, agindo como grandes influenciadores, onde a tecnologia faz parte de suas vidas. Acabam por demonstrar os benefícios e grandes diferenciais que a mesma tem a oferecer. Os idosos percebem que é possível estar mais perto dos seus familiares, compartilhando fotos e vídeos, por exemplo. Também não precisam se deslocar para realizar parte de suas compras, facilitando muito seu dia a dia.

Além disso, a solidão pode ser diminuída, pois a conexão com pessoas é algo inerente às mídias digitais. Um grande exemplo disso é Ivy Bean. Foi a pessoa mais idosa, com 104 anos de idade, a utilizar assiduamente as redes sociais. Tinha mais de 56 mil seguidores no Twitter, até a sua morte. Além de Ivy, que era inglesa, os dinamarqueses, noruegueses e suecos também estão entre os idosos mais entusiastas pelas redes sociais.

Todos estes fatores nos mostram que uma mudança está ocorrendo no perfil da população idosa. Uma nova configuração de vida, hábitos e pensamento. O permitir-se tornou-se hábito. O acesso à informação propicia novas experiências. A inclusão toma lugar da exclusão e em um movimento crescente, eles também passam a pertencer. Pertencem aos dias atuais, ao presente e não mais fazem parte dos momentos de estagnação presos ao passado.
Alegria, simpatia, experiência, necessidade constante de estar informado e de buscar conhecimento em todos os ambientes. Talvez esses fatores façam parte do perfil deste internauta. Para quem está querendo interar-se com as novas tecnologias e consegue utilizá-las a seu favor, envelhecer pode perder o significado de problema e passar a ser uma evolução. E por que não, uma nova geração?
Crédito da foto: Terceira Idade Conectada.
‘Criatividade de brasileiro não vira inovação’
“O Brasil tem potencial para ser um país criativo, mas não é”. A afirmação pessimista é do executivo Adolfo Melito, que está à frente do Conselho de Economia Criativa da Federação do Comércio (Fecomercio). Na entrevista publicada hoje pelo jornal Brasil Econômico, Melito fala sobre o potencial criativo do Brasil mas afirma que o país ainda perde muitas oportunidades por causa de ações desastradas cometidas no passado.

Separei os principais pontos desta interessante entrevista feita pela jornalista Regiane de Oliveira:
1. O Brasil tem potencial para ser um país criativo, mas não é. Segundo Melito, é necessário engajar mais as pessoas e melhorar, de maneira significativa, o nível de educação, além de explorar os processos de criação. Para ele, o que é pensado deve ser implementado. Do contrário, não há inovação.
2. A economia criativa é fruto do engajamento e não da obediência. Trabalhos que exigem pouca criatividade, típicos da economia industrial, não fazem parte desse mercado.
3. O profissional engajado quer ser o melhor na área em que atua e espera que a empresa lhe ofereça as ferramentas para progredir. Esse profissional também quer ter autonomia e propósito.
4. Na perspectiva da inovação, as pessoas trabalham mais pela possibilidade de reconhecimento e expectativa futura do que pelo salário, propriamente dito.
5. “Centralização, burocracia e organizações muito hierarquizadas são os principais inimigos da inovação”, diz ele.
6. As ideias influenciam coisas que você não imaginava antes. No modelo tradicional, o foco está mais na tecnologia do que na imaginação. No modelo da economia criativa, os negócios e a inovação são gerados pela criatividade.
7. Segundo Melito, o país tomou decisões erradas que afetaram alguns setores, por exemplo a educação, afetando consequentemente a formação de talentos – o maior bem da economia criativa. “Estamos fazendo agora o que outros países fizeram há 17 anos”, afirma, referindo-se às articulações que estão sendo feitas pelo Governo Federal para formatar um plano estratégico para a economia criativa no Brasil, através da Secretaria de Economia Criativa, criada em janeiro deste ano.
8. Na economia do futuro, falamos mais em software do que em hardware.
Adolfo Melito não deixa totalmente claro em quais áreas da economia criativa o Brasil tem destaque, transmitindo um certo pessimismo para as soluções (em curto prazo) para os problemas apontados. Até porque um problema de anos não se resolve de uma hora pra outra. Entretanto, ele indica algumas possibilidades nas áreas de artesanato e turismo cultural.
“O Brasil tinha tudo para ser a economia mais verde do mundo mas decidiu investir em uma economia velha, a do petróleo, onde estão sendo gastos bilhões de reais”, critica.
A entrevista na íntegra está publicada no site do jornal.
Como dizem alguns: é preciso sair do quadrado. Na pior das hipóteses, já é um avanço estarmos pensando no assunto. Agora é transformar esses “pensamentos” em realizações, por meio de processos realmente criativos. Afinal, o país deve ter algo bom para exportar além de futebol, não?!
Crédito da foto: Dennis Sibeijn
Criatividade e tecnologia: duas mãos nos braços da inovação
Estamos vivendo um momento de grandes transformações. As maneiras de se produzir, distribuir e consumir são impactadas diariamente pela inovação tecnológica. E neste cenário, a criatividade deixa de ser uma “capacidade sobrenatural” de ver o mundo, para tornar-se um fator básico.

Desde os tempos antigos, a natureza humana é dotada de criatividade. E mesmo os “loucos” que influenciaram gerações, compreendidos como gênios da humanidade, amparavam-se nas manifestações criativas, alimentando suas inquietudes internas e conflitos pessoais.
Agora, cá estamos na Era do Conhecimento (ou apenas da Informação, para a maioria). Trocamos experiências e nos relacionamos em redes, comunidades, tribos. Mais do que nunca, criatividade e tecnologia formam uma simbiose, que envolve novos paradigmas, novas formas, novas mídias, novas narrativas. É isso: vivemos a era do novo, embora nem tudo seja novidade.
Em Goiás ou no Brasil, temos grande diversidade de ideias e alta capacidade criativa, que fortalece a economia e melhora nossas vidas.
Nossos trabalhadores, capacitados ou não, crescem à luz da absorção de novas tecnologias, que possibilitam a rápida inserção no mercado e a livre concorrência. Nosso PIB reflete um país forte, no qual a produção nacional se estabelece acima da estrangeira. Do extrativismo às novas mídias, das pequenas histórias aos grandes espetáculos, e até na política, a criatividade circula inerente à necessidade de coexistir. Neste círculo vicioso de aprimoramento humano, podemos criar coisas que criam mais coisas – para si ou para todos.
A criatividade permanente se encontra com a tecnologia onipresente. Juntas revitalizam espaços, resgatam valores, estimulam convivências. Os modelos tradicionais dão voz e ouvidos a novas possibilidades. Isso é bom? Não sei. Temos mais perguntas do que respostas.
Indivíduos e organizações estão desenvolvendo atividades criativas à base de tecnologia com relevância econômica. Escrevem sua própria história com liberdade de testar, errar ou acertar. O resultado disso são bens criativos, que têm em sua essência altos valores agregados, resultantes da percepção ampliada do consumidor sobre o produto ou serviço.
Tecnologia é puramente tecnologia. Mas quando utilizada por pessoas, apoiadas na criatividade, estabelece novas formas de produzir, distribuir e consumir. E então, surgem novos modelos de negócio e de competição por mercados.
Qual o desafio?! Usar essa tal criatividade para formular ações integradas e planos contínuos, viabilizados pelo Estado, entidades setoriais e iniciativa privada. Ou ainda, abusar da mesma criatividade para mudar relacionamentos, negócios, famílias, valores.
Publicado originalmente no jornal Diário da Manhã (07/10/2010), pág. 20:
http://www.dmdigital.com.br/index.php?edicao=8366&contpag=20
Crédito da imagem: Éole
Sorvete, inovação e sustentabilidade: uma ‘mistura natural’
Voltando do trabalho nesta terça-feira, aproveitei o clima quente da cidade para tomar um sorvete. Minha esposa ganhou um vale-desconto desses sites de compras coletivas (ainda penso em escrever sobre o crescimento desse mercado). Como ela fez questão de usá-lo, seguimos rumo ao endereço.
Foi assim que conheci a Misturalle. Aberta de terça a domingo, das 11h às 22h, oferece “sorvetes de qualidade artesanal, feitos com fruta pura”.
Logo na chegada, satisfação com o local de fácil acesso, clima descontraído, mobília de madeira rústica, algumas plantas e música ambiente. O tipo de local onde você junta os amigos pra “papear” numa terça-feira ociosa.

Patrícia Naves, proprietária e gerente da Misturalle, foi quem nos recebeu. Com um simpático (e sincero) sorriso, tratou de explicar o funcionamento da casa. Enquanto ela falava sobre as dezenas de combinações possíveis do cardápio, eu observei a delicadeza com que o negócio foi projetado. “Abrimos tem poucos dias”, revelou. Apesar do site ainda não estar totalmente ativo, adiantou que está “planejando mais investimentos em propaganda”.
Como se não bastasse, o design do cardápio e a comanda de serviço (ambos feitos com papel reciclável) também agradam. São poucas as sorveterias da cidade que se preocupam com a estética do material e a formatação dos preços. Também é possível marcar diretamente na comanda (como se fosse um gabarito) qual combinação de sabores pedir – entregando a comanda no balcão ou para um atendente que vem até a mesa. Simples e eficiente!
Precisa dizer o quanto o sorvete é bom? Acho que os sorvetes da Patrícia dão conta do recado. Valeu a visita, valeu o fim de tarde e salvou o bolso. Aliás, o preço fica irrelevante perto da proposta “naturalmente correta” da empresa. Três bolas de sorvete (mais de 50 sabores) com até 4 acompanhamentos (de calda de chocolate a biscoito Negresco) saem por R$ 11,00. E com o vale-desconto, cada pedido saiu por R$ 4,95.
Por fim, este post não está identificado como “patrocinado”. Isso porque ele não é mesmo. Ao trocar cartão de visita com a Patrícia, e elogiá-la pelo negócio, percebi que a experiência merecia ser compartilhada por aqui, livre e espontaneamente. Afinal, o mercado está cada vez mais competitivo. Inovação, atendimento e sustentabilidade já não são diferenciais – no mínimo, são princípios de sucesso.
Assim como a sorveteria da Patrícia, há outros negócios surgindo com a mesma consciência: é preciso falar menos e fazer mais. Seu negócio pratica isso?
Meu próximo sorvete já tem local e preço – e espero que tenha por muito tempo. Para mim e para os amigos que levarei…
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