Invasão de cérebros no cinema e o futuro de nossas escolhas
A New Scientist publicou uma matéria interessante sobre neurocinemática, uma técnica que propõe-se a ajudar a indústria a criar filmes mais emocionantes.
Para saber se as reações emocionais aos filmes estão acontecendo da maneira desejada, a técnica consiste em usar um scanner de cérebro fMRI (que cria imagens por ressonância magnética). Em vez de pedir a opinião dos espectadores, é possível ir direto ao cérebro deles para descobrir o veredito. Essa nova estratégia está se tornando conhecida na indústria cinematográfica e pode, no futuro, colaborar para vários fatores.

Separei algumas possibilidades que merecem atenção:
1. Através da neurocinemática, saber quais áreas do cérebro são ativadas quando se vê um ator ou atriz principal poderia ajudar em futuras decisões sobre quem vai formar o elenco.
2. A neurocinemática pode revolucionar a maneira de produzir filmes, contribuindo não para substituir os diretores mas para medir o impacto do que eles fizeram (métricas para premiações, bilheterias, etc.).
3. A neurocinemática pode ser usada para modificar a maneira pela qual é definida a faixa etária recomendada para assistir aos filmes.
4. As varreduras cerebrais ajudariam não apenas a indústria cinematográfica como também os publicitários. A atividade cerebral vista numa pessoa com intenção de compra é a máxima do neuromarketing. Até hoje, ninguém conseguiu ver isso mas é o que todos querem, afinal, a sociedade é capitalista.
5. Anúncios publicitários poderiam ser criados para disparar um determinado padrão de atividade e persuadir os consumidores a comprar. Entretanto, uma preocupação evidente é a de que o neuromarketing possa controlar hábitos de compras e, por que não, até outros comportamentos. Todavia, esta possibilidade não é cogitada pelos especialistas.
“Neuroquê?”
Neurocinemática é um termo criado por Uri Hasson, da Universidade de Princeton, um dos pioneiros a pesquisar como o cérebro responde aos filmes. Sua equipe procurou semelhanças nas respostas cerebrais de um grupo de espectadores que assistiam a diferentes tipos de filmes. Enquanto os voluntários assistiam a uma parte de ‘Bang! You’re Dead’ (Bang! Você Está Morto), de Alfred Hitchcock, por exemplo, eles descobriram que cerca de 65% do córtex frontal – a parte do cérebro envolvida com atenção e percepção – respondia da mesma maneira em todos os espectadores. Apenas 18% da área do córtex mostrou resposta similar quando os participantes assistiam a uma gravação de formato mais livre.

Segundo Hasson, isso indica o quanto de controle o diretor tem sobre a experiência da audiência.
Um detalhe mais interessante: Alguns cineastas estão buscando o oposto – deixar o filme aberto para interpretação. A equipe de Hasson também analisou os efeitos de embaralhar a ordem de apresentação das cenas. Com isso, o grupo analisou correlações em padrões cerebrais em dois grupos: um que assistia à versão normal do filme e outro que assistia ao filme com as cenas fora de ordem. Em outras palavras, o uso de técnica semelhante poderia ajudar editores de filmes (a parte que me toca) a testar quão eficientes são os diferentes tipos de edição para que a audiência compreenda o filme.
Ainda que as empresas comerciais mantenham detalhes da tecnologia em segredo, a área cresce rapidamente. “A agência reguladora de marketing nos Estados Unidos está definindo padrões para a regulamentação da área e uma consultoria de qualidade”, afirma Ron Wright, da Sands Research, empresa especialista em neuromarketing.
Pelo que vejo, o livre arbítrio do ser humano caminha por rumos oscilantes. Enquanto fascinante não custa questionar se, nesse futuro neurocinemático, as escolhas poderão ser chamadas plenamente de “nossas” (livres de qualquer estímulo) ou serão o resultado de conceitos, ideias e comportamentos pré-moldados nas mãos do consumismo. Quem viver verá…
Via Info (edição 297, págs. 84 a 86)
Crédito das fotos: Nasa HQ Foto, Jonathan Harford e New Scientist
O futuro dos videogames, reality shows, etc. (ou não)
Neste feriado de Finados, finalmente pude ver o filme ‘Gamer’ (EUA, 2009). Dirigido por Mark Neveldine e Brian Taylor, o elenco é encabeçado por Gerard Butler (’300′, ‘A Verdade Nua e Crua’), com a atuação da lindíssima Amber Valletta (‘Hitch – Conselheiro Amoroso’) e de Michael C. Hall, Kyra Sedgwick, Logan Lerman, Alison Lohman e Terry Crews.

A trama faz o tipo ‘Gladiador’ pós-moderno. Gerard Butler vive Kable, um prisioneiro num futuro próximo, onde as prisões são diferentes do século 20. Nesse futuro não tão distante, “Slayers”, um revolucionário videogame com ambiente online, faz parte da vida das pessoas. Semanalmente, milhões de internautas assistem Kable e outros condenados lutando para sobreviver ao “jogo”, como se fossem personagens virtuais.

Simon (Logan Lerman), um adolescente expert em games, é quem controla Kable virtualmente – sem sair de casa, usando o próprio corpo como controle (lembrou do Nintendo® Wii?). Um grupo de rebeldes planeja derrubar a estrutura cruel do jogo e seu criador. Para eles, Kable é a peça chave para a vitória contra o sistema. No meio dessa batalha, e sob o comando de Simon, Kable terá que usar todas suas habilidades extravirtuais para vencer o jogo, derrubar o sistema, salvar sua família (que o aguarda do lado de fora) e garantir novamente os direitos de liberdade dos prisioneiros.
Alguns detalhes neste filme me fizeram pensar sobre o futuro dos games:
1. A ideia por trás de ‘Gamer’ é entretenimento com total convergência entre o mundo real e o digital, algo que vem sendo trabalhado há algum tempo pela indústria de games. No filme, durante uma entrevista para um programa de TV mundial, o vilão Ken Castle (Michael C. Hall) explica a razão de ter criado o sistema. “Vivemos em sociedade, tanto real quanto virtual. Mas há momentos em que não sabemos qual delas é mais real? Qual é pra valer?”, diz.
2. Na trama, primeiro foi criado “Society”, um ambiente de simulação extrema onde os jogadores não mais controlam personagens (“avatares”) mas pessoas reais. Gente fazendo gente andar, falar, drogar-se, cair de bicleta, tirar a roupa, etc. Em resumo, “Society” é uma verdadeira arena de marionetes, onde você paga para controlar ou para ser controlado.
3. O vilão Ken Castle cansou-se de “Society” e levou a simulação a “níveis maiores de barbaridade adrenalina”. Criou “Slayers” como aprimoramento de “Society”. Se antes podiam viver através dos outros, em “Slayers” podem matar (ou morrer) através de outros. Ou seja, o jogo permite controlar um ser humano de carne e osso em uma batalha de vida ou morte, num ambiente paralelo e real.
4. Ainda no filme, o vilão Ken Castle alega que nada é assassinato. “Quando foi que você viu um voluntário para a morte?”, ironiza o personagem durante a entrevista. Uma verdadeira permuta entre a sentença e o extremo sensacionalismo “bigbroderiano”. Quem sobrevive a 30 batalhas ganha a liberdade e o perdão de seus crimes.
5. Um prisioneiro no corredor da morte (aguardando a cadeira elétrica) não deve ser considerado um cidadão comum, desconsiderando neste caso qualquer um dos direitos humanos básicos. Toda a renda da produção é revertida ao Governo, para sustentar o sistema penitenciário e manter os “malvados” atrás das grades.
6. “Slayers” foi aprovado por 68% dos americanos mas numa eleição com suspeita de fraude digital. Nesta parte do filme, pensei: até que ponto vale a pena ter tudo controlado por tecnologia? E quem vai controlar? Este é o desafio que vejo para os próximos anos.
7. O controle virtual dos jogadores é possível através de “Nanex” – um implante no cérebro. Uma célula se multiplica e substitui as demais células com cópias idênticas. Estas cópias têm suas funções ativadas por controle remoto. Daí o nome “Nanex” – mistura de nano com córtex. Todos que se submetem a tal transformação ganham um “IP” único, como um computador. O controle fica restrito ao ambiente do jogo. Quando a pessoa sai do ambiente fica dependente livre do monitoramento e do controle do jogador. Para alguns, talvez um alívio. Para outros, um problema. Há quem prefira ter outra pessoa assumindo o controle de sua vida, tomando decisões difíceis em seu lugar, vivendo sem responsabilidade.

Em resumo, não passa de uma mera ficção mas levanta grande questionamento sobre o futuro (não tão distante) dos jogos, da mídia social e da própria tecnologia. Afinal, não faz nem quinze anos e aqui estamos livin’ la vida loca online, com experimentos que atraem e dependem de audiência e publicidade.
Eu amo pensar nisso tudo. Mas tem horas que a loucura inovação humana também me assusta…
Veja o trailer de ‘Gamer’:
Crédito da foto: Ginnerobot
Filme contará a história do Facebook
E a mídia social invade a sétima arte… Trata-se do primeiro filme a falar inteiramente do Facebook.

Ainda sem data de estreia oficial, “The Social Network” conta a história de Mark Zuckerberg e Eduardo Saverin, os dois estudantes de Harvard que fundaram o Facebook.
Durante as gravações na Johns Hopkins University, duas pessoas que passavam pelo campus (Mary Sapiro e Raluca Musaloiu) pararam para fazer algumas fotos.

Os atores Jesse Eisenberg (Zuckerberg) e Andrew Garfield (Saverin), bem como o diretor David Fincher (“O Curioso Caso de Benjamin Button”, de 2008, e “Clube da Luta”, de 1999), estavam em cena.
Segundo o site Imdb, a previsão de lançamento nos EUA é 15 de outubro de 2010.
Para ver outras fotos da produção, clique aqui.
Fonte: Gawker.com
Avatar 2
Se você ainda está verde azul de tanta nostalgia causada por “Avatar”, de James Cameron, então vai gostar de ver uma prévia de “Avatar II”. Peraí, tão rápido assim?!!
Tire suas conclusões e prepare-se para grandes emoções!
Cinema 2009
Ano novo, expectativas novas, promessas diversas… Não postei nada sobre 2010 ou ‘blá blá blá’ sobre 2009 porque, no final das contas, todo mundo fala a mesma coisa. Mas como me incomoda o fato de virar o ano com o blog em branco (apesar da cor ser muito usada nesta época), resolvi postar um vídeo pra comemorar.
Repetindo a ideia de Matt Shapiro e de tantos outros filmmakers, Kees van Dijkhuizen fez a mesma gentileza este ano: resumiu em vídeo os sucessos do cinema 2009. Senhoras e senhores, curtam 7 minutos de vídeo que resumem os 342 filmes do ano que se foi. Aumente o volume e dê um fullscreen na telinha. É show total!
Não desejei ‘feliz 2010′ para todos os amigos, então vou dedicar este post aos filmmakers (parceiros de trabalho) @RodrigoSavir, @JorgioAvliss, @MauricioFelsi, @SergioAreda, @Halley_Was. E a você também!
Desafiando Gigantes (Facing the Giants)
Sinopse: Nunca desista. Nunca volte atrás. Nunca perca a fé. O poder da crença proporciona a habilidade de vencer.Em seis anos como técnico de futebol americano de uma escola, Grant Taylor (Alex Kendrick) nunca conseguiu levar seu time, Shiloh Eagles, a uma temporada vitoriosa. E ao ter que enfrentar crises profissionais e pessoais aparentemente insuperáveis, a ideia de desistir nunca lhe pareceu tão atraente. É apenas depois que um visitante inesperado o desafia a acreditar no poder da fé que ele descobre a força da perseverança para vencer.
FICHA TÉCNICA
- Elenco: James Blackwell, Bailey Cave, Shannen Fields, Tracy Goode, Alex Kendrick, Jim McBride, Tommy McBride, Jason McLeod, Mark Richt, Steve Williams, Chris Willis, Ray Wood
- Tempo aproximado: 111 minutos
- Distribuição: Sony Pictures
- País de Origem: EUA
- Ano: 2006
- Classificação: 14 anos
- Direção: Alex Kendrick
A Segunda Chance (The Second Chance)
Sinopse: Michael W. Smith e Jeff Obafemi Carr estrelam em “A Segunda Chance” (The Second Chance, 2006). O filme conta a história de Ethan Jenkins (Michael W. Smith), pastor de uma igreja de brancos, e Jake Sanders (Jeff Obafemi Carr), pastor de uma igreja de negros. Eles começam a trabalhar juntos num projeto de restauração de um subúrbio nos Estados Unidos. Durante o projeto, os dois líderes e suas congregações descobrem as diferenças na forma de evangelismo de trabalho com grupos diferenciados. A forma de pensar, a criação, a própria estrutura das igrejas e a experiência de cada um leva a tomadas diferentes de decisão, afetando pessoas de uma forma nunca imaginada.
FICHA TÉCNICA
- Elenco: Michael W Smith, Jeff Obafemi Carr
- Áudio: português e inglês
- Legendas: português, francês e inglês
- Tempo aproximado: 103 minutos
- Distribuição: BV Films (comprar)
- Ano: 2006
À Procura da Felicidade (The Pursuit of Happyness)
Sinopse: Chris Gardner (Will Smith) é um pai de família que enfrenta sérios problemas financeiros. Apesar de todas as tentativas em manter a família unida, Linda (Thandie Newton), sua esposa, decide partir. Chris agora é pai solteiro e precisa cuidar de Christopher (Jaden Smith), seu filho de apenas 5 anos. Ele tenta usar sua habilidade como vendedor para conseguir um emprego melhor, que lhe dê um salário mais digno. Chris consegue uma vaga de estagiário numa importante corretora de ações, mas não recebe salário pelos serviços prestados. Sua esperança é que, ao fim do programa de estágio, ele seja contratado e assim tenha um futuro promissor na empresa. Porém seus problemas financeiros não podem esperar que isto aconteça, o que faz com que sejam despejados. Chris e Christopher passam a dormir em abrigos, estações de trem, banheiros e onde quer que consigam um refúgio à noite, mantendo a esperança de que dias melhores virão.
FICHA TÉCNICA
- Elenco: Will Smith, Jaden Smith, Thandie Newton, Brian Howe, James Karen, Dan Castellaneta, Kurt Fuller, Takayo Fischer, Domenic Bove, Scott Klace, Mark Christopher Lawrence, Kevin West, Chris Gardner
- Tempo aproximado: 117 minutos
- Distribuição: Sony Pictures Entertainment / Columbia Pictures
- País de Origem: EUA
- Ano: 2006
- Classificação: Livre
- Direção: Gabriele Muccino
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