O que falta para a humanidade?
O mundo contemporâneo passa por grandes transformações, sobretudo por causa das novas tecnologias. Apesar das grandes inovações históricas trazidas por essas transformações, é possível perceber nas últimas décadas uma ausência de felicidade no mundo. De modo geral, muitos sofrem com questões ligadas à falta de saneamento básico, de água potável, alimentação, educação e acesso a tantos outros benefícios inerentes à condição humana.
Neste cenário tão controverso, as novas tecnologias despontam e a miséria caminha a passos mais largos. O que falta para a humanidade? Para a filósofa política alemã, Hannah Arendt, o avanço rápido da ciência moderna fez com que aparecessem tantos aspectos diferentes na sociedade contemporânea. Tal avanço da ciência culminou em eventos como as Grandes Guerras Mundiais, mostrando até que ponto o ser humano é capaz de produzir efeitos destrutivos à sua própria espécie. Nesse período predominou eventos que atestaram uma ausência de preocupação nos rumos que a ciência moderna estava tomando.
Muito antes de existir a ciência, o que predominava era o discurso religioso e as explicações mágicas do universo. Para o filósofo e sociólogo alemão Jürgen Habermas, essas interpretações do mundo traziam em si um si. Ou seja, a finalidade de uma crença e/ou religião é conduzir seus seguidores a um determinado estado de consciência ou paraíso, enquanto a ciência não tem ideia para onde está indo. O processo de produção científica não traz em si um fim concreto mas apenas o desejo de busca por algo sem forma.
Basicamente, a ciência sobrevive da atitude de questionar a realidade e a religião de um conjunto de dogmas.
Fugindo dos paradigmas
Certo ou errado, não podemos reduzir a discussão desses temas a uma visão míope do mundo, afirmando que um está certo e outro errado. O que deve ser questionado é por que fazer ciência? Qual a finalidade da produção de conhecimento? Do que adianta tantos avanços científicos na sociedade contemporânea se as necessidades básicas de sobrevivência e de dignidade do ser humano não estão sendo atendidas?
A razão nesse sentido anula outras formas de conhecimento, estabelecendo uma nova forma de mito. Porém, nessa conjectura o mito é esclarecido pela lógica científica. E isso não é muito diferente da forma de pensamento anterior.
Em que difere da religião? Seria a ciência uma nova forma de mito e/ou religião esclarecidas pela razão? Pensando nessa perspectiva, podemos refletir na missão da universidade que foi estabelecida como centro, a partir do qual a ciência nasceria e esclareceria o mundo “ignorante e contaminado” pelo discurso religioso.
Crédito da foto: Elliot Brown
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