Universalidade, individualidade e autonomia
A modernidade está em crise. Não é suficiente para responder às angústias humanas. O projeto moderno fracassou como possibilidade de emancipação do ser humano. Vivemos em uma sociedade altamente tecnológica e científica que não sabe para onde caminha. Estamos perdidos!
O projeto moderno em questão é o Iluminismo, e tem como base: a universalidade, a individualidade e a autonomia.
A universalidade refuta particularidades como as raciais, religiosas, culturais ou nacionais e tem como fim todos os seres humanos. Na prática, a ideia baseia-se na ligação que o indivíduo tem com a nação livre, onde têm acesso à divisão internacional do trabalho e, por possuírem os mesmos talentos, conseguem igual acesso às riquezas. Tal ideia combatia, em especial, o Imperialismo e modelos econômicos (como o Feudalismo) baseados em condições desiguais de acesso ao sistema econômico. O universalismo defendido pelo Liberalismo atinge a economia, a política, o saber e a moral.
A individualidade não se refere às pessoas niveladas por um processo de massificação de sentidos (todos querem as mesmas coisas) mas às pessoas concretas.
A individualidade defendida pelo Liberalismo baseia-se no valor do indivíduo, partindo do princípio que este poderia desenvolver suas faculdades de forma universal, individual e autônoma. Essa defesa do valor do indivíduo significava uma crítica ao Antigo Regime, pois a individualidade aí se colocava como um privilégio de classe.
Mas a sociedade capitalista estimulou o hiperindividualismo e tudo aquilo que o acompanha, como o hedonismo, o egocentrismo e o delírio consumista.

O oposto desse hiperindividualismo, tão perverso quanto ele, é o antiindividualismo – a busca das raízes e de uma identidade coletiva. Ou seja, contrariando o princípio do racionalismo que anuncia o individualismo como a libertação do ser humano das entidades coletivas.
Assim como o Iluminismo atacou as explicações religiosas do mundo e acabou perdido, corremos o risco de começarmos a combater o individualismo, hedonismo, egocentrismo e o delírio consumista de forma tão radical, buscando raízes de uma identidade coletiva, que poderemos contribuir com a reconstrução do modelo de sociedade feudal.
Por último, a autonomia que faz referência à qualidade do ser humano de pensar por si mesmo.
A autonomia no ato de pensar liberta a razão da autoridade e dos preconceitos forjados nas opiniões sem fundamentação cientifica, privilegiando assim a educação e a ciência. Não aconteceu assim.
Hoje os recursos tecnológicos e científicos defendidos por essa corrente de pensamento nivelou a sociedade, permitindo que se desenvolvesse um modelo social altamente complexo e consumista. O mais trágico: esse modelo contribui para o total nivelamento das consciências, onde um aparelho industrial dita a forma de ser e estar no mundo.
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