No amor, na morte e na tecnologia
Dias atrás, estive em São Paulo para palestrar na Universidade Anhembi-Morumbi, durante o 2º Encontro de Comunicação. Na ocasião, apresentei “Era do conhecimento, revolução do conteúdo”, tema em que provoco jor-pp-rp-rtv-cine os espectadores a respeito da quantidade de informação em nosso século, pensando as novas mídias como canais democráticos, onde produzir e consumir conteúdo estão juntos no mesmo “controle remoto”.

Em outras palavras, produzir conteúdo com relevância está se tornando mais subjetivo. Aqueles “super poderes”, antes detidos pelos grandes profissionais de comunicação, estão disponíveis a qualquer indivíduo com acesso a tecnologia e novos meios. Por isso, prefiro o termo “era do conhecimento”.
Na prática, somos todos curadores de conteúdo. Naquele vídeo em que fui marcado no Facebook, na foto clicada pelo amigo do meu amigo, no convite para um evento que alguém achou interessante, na playlist de vídeos no Youtube ou até mesmo no player do carro. O tempo todo fazemos filtros curadoria de conteúdo para uma determinada audiência.
Mas o que estamos fazendo com tanta informação?

Outro dia um amigo me falou: “a informação está altamente acessível mas precisamos de condutores do conhecimento”. Sim, pois acredito no conceito do pesquisador norte-americano Steve Rosenbaum, de que “a própria democratização das mídias causou a sobrecarga de informação“. Neste cenário, surgem os inconformados com tanto “barulho” tentando (às vezes de forma colaborativa) contribuir com algo além da mera informação-cultura-empírica. “Falar é uma necessidade, escutar é uma arte”, por isso, muitas vezes prefiro ser artista. Mais que isso, prefiro viver.
Desconectar para conectar
Essa história de overload de informação já incomoda muita gente. Há algum tempo acompanho o Slow Movement, que tem como missão capacitar os interessados na exploração de formas sustentáveis de pensar, viver e interagir na comunidade global. Com o tempo, estamos questionando o porquê de tudo fast (comida, leitura, trabalho, relacionamentos, etc).
“Desconectar para conectar” já não parece uma ideia absurda, né?
No amor, na morte e na tecnologia
Tiffany Shlain, cineasta e fundadora do Webby Awards (considerado o Oscar da internet), sabe na prática o que é viver autenticamente “conectado”. Por seus estudos, Shlain foi reconhecida como uma das mulheres que transformam o século 21. O resultado de seu trabalho está resumido no documentário “Connected: an autoblogography about love, death & technology“, que estreou em setembro nos EUA.
“O que nos tornamos” e “o que significa estar conectado no século 21″ são os questionamentos contidos no filme, que utiliza cenas remixadas da própria internet para dar o recado. Poucas cenas foram filmadas, a maior parte são animações, vídeos da web, narrações off e arquivos pessoais da cineasta. A morte por câncer do pai e escritor de best-sellers Leonard Shlain, e também uma gravidez de risco, foram as motivações de Shlain para repensar nossas conexões com o mundo e as pessoas.

Semelhante a posts em blogs, Connected também interconecta as teorias de Shlain e as experiências de sua própria vida. O apelo do filme não poderia ser diferente: an autoblogography about love, death & technology (“uma autoblogografia sobre amor, morte e tecnologia”). Genial!
A cineasta também é adepta do conceito Technology Shabbat, derivado do princípio judaico – um dia da semana para ela e sua família descansarem das mais recentes tecnologias de comunicação. Ou seja, momentos de desconectar para conectar (na vida).
Crédito das imagens: Divulgação
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