21 out 2011 { 08:13 }

Desconectar para conectar (na vida)

Não sei quando exatamente a gente se perde mas sei que a gente se perde. Faz parte da vida se perder pelo caminho.

Já não lembro mais quando foi a última vez que dormi, no mínimo, 7 horas por noite. Estou sempre alternando entre ficar conectada e estar na balada mais legal do momento. Perdi quilos, ganhei olheiras, ando com dores no corpo inteiro mas, garanto, perdi coisas muito mais importantes que tudo isso que, teoricamente, posso recuperar.

Perdi um almoço com as amigas porque não poderia perder o melhor horário de ler meus blogs favoritos, tuitar e ler tweets bem na hora do almoço. Perdi também um carinho gostoso da minha cachorra, que fica sempre do meu lado enquanto digito, chorando e pedindo desesperadamente com seus olhos um pouco de atenção.

 

Perdi minha mãe sentada no sofá, me contando as últimas, descansando os pés no meu colo e rindo pra mim da vida que, às vezes, é tão hilária de tão estranha. Perdi a tarde assistindo filme com meu irmão e o novo bebê que está a caminho no ventre da cunhada. Perdi a conversa do trabalho, as amigas dialogando entre si sobre qual será o nome do mais novo integrante do mundo, que virá de uma delas.

Deixei de viver o profundo, optando pelo raso que os vínculos criados nas redes sociais as vezes  são. Já me  livrei também de altas  ”latadas” graças a web, mas  entrei em outras  tantas também por conta da mesma… Ganhei amigos que ficaram para a vida toda e também me iludi com o termo amizade com outros que julguei serem pra vida toda mas que morreram em mim quando nasceu o primeiro sorriso (só na cara) que não abraçou alma alguma

Não quero desmerecer o que acontece no “virtual”, até porque precisamos disso. Estou apenas constatando que a gente se perde.

De repente, começamos a ser influenciados por coisas e pessoas que, sequer, condizem com o que realmente acreditamos. Mas tem também aqueles que chegam para nos fazer rever todos os conceitos, e isso é bom. O ruim é quando perdemos a nossa essência, quer seja para sermos aceitos num grupo ou para parecermos legais, sabe-se lá. Ruim é quando a gente deixa passar a vida por coisas que serão só coisas. Quem nunca deixou isso acontecer que atire a primeira pedra, ou melhor, que nos conte a fórmula.

A gente se perde. Sempre se perde. É preciso se perder algumas vezes na vida para conhecer outros caminhos e redescobrir coisas que o nosso coração (intuição ou algo do tipo) grita. O problema mesmo é se perder a tal ponto de não conseguir voltar, sem sequer conseguir se lembrar do que foi antes de tudo.

Sei que a vida online me parece só um brinquedo com utilidades amplas e eu preciso, urgentemente, tirá-la do volante da minha história. Não que seja assim um vício para ser abandonado, só que… a vida de verdade está acontecendo no “offline” e eu e mais um bom tanto de gente, não estamos percebendo.

Quanto a mim, vou agora dar um abraço na minha mãe que, parece que faz um século que não a vejo. E só porque quase nunca “desgrudo” daqui.

 

 

Crédito da foto: Cupcakes2

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