16 set 2011 { 10:06 }

O que motiva as pessoas a postarem nas redes sociais?

Falar, falar e falar. Não adianta, até o reles mortal mais quieto do mundo sente aquele alívio danado quando expõe, enfim, o que está lhe apurrinhando ou chamando a atenção. O ser humano tem uma necessidade inerente de expor o que está pensando, o que está lhe afligindo, o que achou interessante.

Não é à toa que vivem dizendo que ninguém nasceu para ser só, afinal, conversar só consigo mesmo por anos a fio não deve ter muita graça, né? Pois bem, nesse cenário de falação, eis que “surgem” as salvadoras (ou destruidoras) da pátria: as redes sociais. E dentro desse contexto, pesquisas comprovam a relevância do uso das redes sociais na internet.

Facebook

Segundo pesquisa feita por britânicos da Universidade Edinburgh Napier, divulgada pela Revista Galileu, a rede social de Mark Zuckerberg causa estresse. Em outra revista, foi dito que o Facebook causa ansiedade. No primeiro caso, devido ao fato de a rede parecer um informativo sobre nós mesmos, faz com que sintamos necessidade de postar algo interessante a todo tempo. No outro, porque ao vermos postagens de amigos em festas, férias ou afins, sentimos necessidade de fazer ou ter a mesma coisa.

Mas, o que leva as pessoas a postarem conteúdo nas redes sociais e até que ponto isso é bom ou ruim?

Desabafar

Há muitas pessoas que usam as redes como ferramenta de trabalho. Entretanto, outras usam como seu espaço particular para se manterem informadas sobre o que está acontecendo no mundo e na vida dos amigos.

Uma classe grande e crescente de pessoas, utiliza as redes sociais para desabafar. Brigou com o namorado, posta um tuite. Passou raiva no trabalho, “feicibuca”. Está apaixonada, envia uma música romântica.

Quem nunca fez isso, que atire a primeira pedra (no impulso, por favor). Mas usar as redes sociais como um canto de desabafo pode ser uma faca espada de dois gumes, pois ao mesmo tempo em que você se livra de algo que lhe apurrinha, está não só mostrando suas fraquezas, como dando informações pessoais a estranhos.

Além disso, é bom ter cuidado redobrado quando o caso em questão é trabalho. Pode parecer antigo mas, basta dar uma pesquisada na internet para encontrar vários casos de pessoas que perderam emprego por causa da maneira como utilizaram as redes sociais.

O ego

Algumas pessoas precisam constantemente de uma certa massagem no ego. Todos gostam de prestígio. O ego incita bastante o compartilhamento de conteúdo nas redes sociais.

As pessoas precisam de atenção. Porém, para algumas pessoas a necessidade de sentir-se útil e receber elogio é quase tão vital quanto comer. E são essas pessoas que acabam gerando conteúdo e, muitas vezes, tornando-se “web celebridades”.

Vale a pena? Creio que sim. Basta tomar um pouco de cuidado para não ser egocêntrico demais. Existem mil e um motivos que levam as pessoas a postarem na web. Alguns postam por humor. Outros entram só para participar da conversa. Tem também os que apenas leem, querendo “notar sem serem notados”.

Vale ressaltar que TDI (Transtorno de Dependência da Internet) existe e está à espreita de todos (desconfio seriamente que sofro desse mal). Enfim… o que nos resta, enquanto pessoas físicas ou jurídicas, é tentar encontrar a linha do equilíbrio, que faz com que nossa necessidade de exposição (e a facilidade para isso através das redes sociais) não nos prive das outras coisas boas da vida, como manter um emprego e uma boa conversa olho no olho.

Crédito das fotos: Sean MacEntee e Hannis du Plessis

Publicado originalmente no blog de Netmidia Propaganda. Com informações de Revista Galileu e Comunicação & Tendências.

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5 Comments + Add Comment

  • … [Trackback]…

    [...] Informations on that Topic: gentedeconteudo.com.br/web/2011/09/o-que-motiva-as-pessoas-a-publicarem-redes-sociais/ [...]…

  • [...] à nossa existência. Cada pessoa passou a ser um documentarista de sua própria vida, com muitos motivos para publicar conteúdo e registrar suas memórias através de fotos compartilhadas no Facebook, Twitter e tantos [...]

  • Fred,
    Obg!
    Apesar de seu comentário ter saído com o meu nome, sei que é vc e agradeço a participação.

    Bjo

  • Muito bom seu texto Camilla. A internet revolucionou as relações humanas. Trouxe um dinamismo inaugural a todas as vertentes de comportamentos e ações sociais. Deu vazão sobretudo às expressões e atitudes simbólicas das emoções que compõem as pessoas.
    A pesquisa diz que o facebook causa estresse, ansiedade. Creio que a pesquisa poderia salientar também que a maioria das pessoas são assim e que redes sociais como essa simplesmente reverberam e salientam a característica pessoal e intransferível de cada usuário. Desta forma encontraremos perfis de comportamento virtual de tantos modos quantos existem na vida prática! Às vezes levados ao extremo e à exaustão caracterizado pela velocidade e pela fugacidade dos acontecimentos na grande rede.
    Ademais, como os interesses mudam constantemente, e muitos não estão adaptados a lidar com isso, a possibilidade de frustrações e dependência psíquica, através da disposição energética constantemente renovada e redirecionada, aumenta exponencialmente! É um risco que se corre pela agilidade provinda da inclusão socio-digital, mas que será mero dado estatístico a quem, na vida prática, tem estruturadas posições de enfrentamento e adaptação saudáveis e equilibradas! Parabéns pela exposição desse tema importantíssimo!

  • Ir à praça falar da praça. Dizer ao público o comportamento do público. Alimentar-se de comportamentos e se comportar para alimentar. Falar do olho no olho, olhando na tela. O contradito real narra nossas próprias histórias.
    Vejo tudo muito acertado no seu discurso, Camila!
    Discordo das conclusões das pesquisas que apresentou. Ansiedade? Egocentrismo? Inveja? Orgulho? Tudo isso existe em grande escala em todos (ou pelo menos em suas sombras – no conceito da psicologia analítica) sem computador, internet ou sites de redes sociais.
    Penso que as "redes sociais" só abrem o leque para que todos possam mostrar suas características. A mudança no comportamento é fato, mas, para mim, não é porque usamos redes sociais, mas sim, porque não há como desacelerar a vida e ir para debaixo da árvore bater um papo com olho no olho.
    Apesar de gostar de "filosofar", ler e ouvir sobre essa temática, fujo de tudo que poderia me remoldar nas redes e posto o que e como rolar no momento, como agora. Meus perfis nunca seriam apenas perfis bonitinhos para não perder emprego…
    Parabéns pelo post, me fez refletir bastante. Escrevi demais e se fosse pensar na minha imagem agora, eu cortaria metade para não parecer tachativo e chato que escreve muito. Afinal, eu sou.

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