Como está seu rosto?
“O inferno são os outros”. A frase de Sartre aponta para uma direção: sempre estamos preocupados com “o Outro”, mesmo que seja para imputá-lo responsabilidades sobre nossos fracassos.
Partindo da ideia de preocupação com o Outro, talvez seja pertinente uma pergunta: como fica nossa relação com o Outro nas redes sociais? Será que temos um rosto definido diante desse “outro” que nem sempre conhecemos ou nos escondemos atrás de um perfil falso?
Falando filosoficamente, o Outro é responsável por nossa emancipação como Ser. É no contato com a diferença do Outro que desenvolvemos a linguagem e nos qualificamos para desvendar o nosso Eu, presente em cada rosto que nos aparece estranhamente distorcido pela falta de conhecimento do Outro.
Linguagem, contato e experiência com o Outro tornam infinitamente possível o desvelamento do Rosto. Então, temos que produzir interações sociais para ancorar essa necessidade de conhecimento de nós mesmos, através da experiência com o Outro.
Para tal conversa, poderíamos eleger qualquer tipo de interação mas sabemos que a internet tornou-se, nos últimos anos, uma grande praça para discussão, criação e disseminação de ideias ao redor do mundo. Assim, podemos privilegiar as relações nascidas nesse espaço como possibilidade de conhecimento do Outro.
Diante dessas ideias, um exercício possível é pensarmos como está nosso Rosto nas interações virtuais. De que forma queremos que o Outro nos conheça? Talvez pareça uma pergunta sem nexo com a realidade. Porém, se olharmos para nossa experiência virtual perceberemos pessoas que se comportam em ambientes virtuais como se nunca fossem voltar ao real. Não carregam em si a preocupação de que, suas atitudes com o Outro, no ambiente virtual, podem reverberar em consequências no mundo real.
O Outro sempre será “o outro” em suas dimensões virtuais ou não. Ele sempre merece cuidado, porque é no cuidar do Outro que o Rosto se revelará.
Crédito da foto: Ben Fredericson
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