19 jul 2011 { 08:06 }

Karma digital

A web 2.0 nos trouxe infinitas possibilidades de interação, troca e absorção de informações. A cada dia, aumenta o número de pessoas na rede que estão produzindo conhecimento, se mostrando, escrevendo, divulgando, vendendo, comprando, enfim… participando e colaborando num ambiente de inteligência coletiva.

Diante dessa infinidade de fontes, marcas e pessoas produzindo e modificando o conteúdo que interessa a cada um de nós, como selecionar as fontes mais confiáveis, o melhor site de compras, o perfil no Twitter que fale com mais propriedade sobre determinado tema, o blog mais interessante…?! Analisando o karma digital.

Karma pode ser definido como o resultado cumulativo das experiências passadas, ou ainda, como uma lei de ação e reação. Neste último caso, para toda ação boa ou má tomada pelo homem, ele pode esperar uma reação boa ou má, de igual proporção, em sentido contrário. Portanto, vamos acumulando méritos ou deméritos ao longo de nossas vidas – karmas.

Assim também é no ambiente virtual. Uma vez que estamos na web, deixamos rastros. Quem já tentou buscar seu nome no Google sabe disso. Tudo fica registrado: seus dados na lista de aprovados de algum concurso ou vestibular; seus perfis nas redes sociais; suas fotos; seus textos publicados ou citados; seu blog; os comentários que você deixa em algum site; seu currículo lattes; o que você comprou ou vendeu; a marca da sua empresa; o vídeo que você subiu no Youtube, etc.

Esse rastro é o nosso karma digital, que pode nos valorar enquanto fontes de credibilidade na rede ou não. Há inclusive empresas especializadas em buscar e analisar o karma digital antes de contratar novos funcionários. Nos tempos em que ainda usávamos o Orkut, ficávamos horas vendo as comunidades de alguém para descobrir os gostos e hábitos daquela pessoa, lembra?!

O mesmo acontece para um produto ou marca. Antes de você contratar um serviço ou comprar um produto, faça uma pesquisa do karma digital e surpreenda-se com o que outras pessoas falam na rede a respeito. Eles criticam ou elogiam? Demonstram satisfação e recomendam ou simplesmente falam mal?

O karma digital nos ajuda a escolher quais perfis no Twitter seguir, o site de compras mais confiável e eficiente, etc. Ao mesmo tempo, cultivamos nosso próprio karma digital, direcionando nossa imagem da maneira que desejamos ser percebidos.

Carlos Nepomuceno, doutor e pesquisador de web 2.0, publicou em seu site uma ótima definição: “O rastro é o dado armazenado de cada um, voluntário, ou não. O karma é o histórico do rastro, que pode ser utilizado ou não, para dar relevância em uma dada rede social online. O karma digital, por fim, é a base que viabiliza a auto-gestão das redes sociais, a nova forma de poder administrar a troca de informação entre dados e pessoas desconhecidas”.

Estamos mesmo conectados com inúmeros desconhecidos, em um ambiente onde tudo deixa rastros. Sabemos utilizar isso a nosso favor?

Publicado originalmente no Jornal Diário da Manhã – 09/06/2011, pág. 16 / Tecnologia da Informação)

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