‘Criatividade de brasileiro não vira inovação’
“O Brasil tem potencial para ser um país criativo, mas não é”. A afirmação pessimista é do executivo Adolfo Melito, que está à frente do Conselho de Economia Criativa da Federação do Comércio (Fecomercio). Na entrevista publicada hoje pelo jornal Brasil Econômico, Melito fala sobre o potencial criativo do Brasil mas afirma que o país ainda perde muitas oportunidades por causa de ações desastradas cometidas no passado.

Separei os principais pontos desta interessante entrevista feita pela jornalista Regiane de Oliveira:
1. O Brasil tem potencial para ser um país criativo, mas não é. Segundo Melito, é necessário engajar mais as pessoas e melhorar, de maneira significativa, o nível de educação, além de explorar os processos de criação. Para ele, o que é pensado deve ser implementado. Do contrário, não há inovação.
2. A economia criativa é fruto do engajamento e não da obediência. Trabalhos que exigem pouca criatividade, típicos da economia industrial, não fazem parte desse mercado.
3. O profissional engajado quer ser o melhor na área em que atua e espera que a empresa lhe ofereça as ferramentas para progredir. Esse profissional também quer ter autonomia e propósito.
4. Na perspectiva da inovação, as pessoas trabalham mais pela possibilidade de reconhecimento e expectativa futura do que pelo salário, propriamente dito.
5. “Centralização, burocracia e organizações muito hierarquizadas são os principais inimigos da inovação”, diz ele.
6. As ideias influenciam coisas que você não imaginava antes. No modelo tradicional, o foco está mais na tecnologia do que na imaginação. No modelo da economia criativa, os negócios e a inovação são gerados pela criatividade.
7. Segundo Melito, o país tomou decisões erradas que afetaram alguns setores, por exemplo a educação, afetando consequentemente a formação de talentos – o maior bem da economia criativa. “Estamos fazendo agora o que outros países fizeram há 17 anos”, afirma, referindo-se às articulações que estão sendo feitas pelo Governo Federal para formatar um plano estratégico para a economia criativa no Brasil, através da Secretaria de Economia Criativa, criada em janeiro deste ano.
8. Na economia do futuro, falamos mais em software do que em hardware.
Adolfo Melito não deixa totalmente claro em quais áreas da economia criativa o Brasil tem destaque, transmitindo um certo pessimismo para as soluções (em curto prazo) para os problemas apontados. Até porque um problema de anos não se resolve de uma hora pra outra. Entretanto, ele indica algumas possibilidades nas áreas de artesanato e turismo cultural.
“O Brasil tinha tudo para ser a economia mais verde do mundo mas decidiu investir em uma economia velha, a do petróleo, onde estão sendo gastos bilhões de reais”, critica.
A entrevista na íntegra está publicada no site do jornal.
Como dizem alguns: é preciso sair do quadrado. Na pior das hipóteses, já é um avanço estarmos pensando no assunto. Agora é transformar esses “pensamentos” em realizações, por meio de processos realmente criativos. Afinal, o país deve ter algo bom para exportar além de futebol, não?!
Crédito da foto: Dennis Sibeijn
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Adolfo Melito é inovador? Quando fala em falhas de investimento na educação, sobre que investimentos se refere e o que ele considera como sendo a educação a que um povo deve ser submetido? Melhor, quem assume a responsabilidade do processo de educar? Adotar o discurso batido do "não deu certo porque…" é uma forma simplista de lidar com o assunto. Até porque, o que é desprezado hoje, pode muito bem ser aclamado como "inovador" amanhã.
Vejo todo dia 'lâmpadas' assim estraçalhadas
Na melhor das hipóteses, rearranjadas
Para o fim econômico que mais urge, ajustadas.
Introspecções criativas introspectadas.
Eis, n'aqui, no Brasil d'onde a criatividade não sai, não exporta
Exorta, relembra e bate na porta.
Guarda as asas para se alimentar
e não morrer de fome
Aos invés de voar
E fortalecer-se rente ao mundo, pelo nome
Poético, tentamos a criatividade,
por vários fins de industrial idade
e perecemos, por fim, do recomeço de verdade.