21 jun 2011 { 11:51 }

Conteúdo televisivo na web e a estrutura tecnológica do Brasil

Em abril, comentamos que o Youtube não será mais o mesmo após o lançamento do Youtube Live, serviço com conteúdo próprio semanal e transmissão ao vivo de grandes eventos.

Se o maior site de vídeos do mundo domina dita tendências, então nosso país está preparado para seguir o mesmo rumo e investir em conteúdo próprio na web, certo?! Não. Já podemos assistir TV totalmente pela web, certo?! Ainda não.

Para discutir o assunto, o pessoal da Vogg, convidou alguns opinadores especialistas do mercado de broadcasting para dizer a situação do Brasil em relação ao assunto. As considerações são relevantes e registramos por aqui:

“O hábito do brasileiro de assistir a TV convencional não irá mudar tão cedo. Além disso, são poucos os que possuem internet de boa qualidade. A grande massa tem dificuldade de ouvir web rádios que transmitem em 96 a 128 kbps. E a TV pela internet – para ter uma boa qualidade de imagem – deve transmitir no mínimo a 150 kbps ou superior a isso”.
Faustino P. Lima, diretor geral da Mundial Logic, empresa que oferece tecnologia de transmissão online de rádio e TV.

“A internet no Brasil cresce a cada dia. Porém, a infraestrutura para obter uma internet ainda é cara e com tecnologia um pouco atrasada. Em muitas regiões do Brasil, as pessoas não têm recursos suficientes para arcar com os custos de uma velocidade aceitável de internet, sendo assim muitos internautas ainda não estão preparados para assistir TV pela web. No Brasil, ainda há quem utilize velocidade de 100, 200, 300 kbps de internet, enquanto que em países ‘de primeiro mundo’, as velocidades de 100 MB de internet já possuem um custo mais acessível para a população. Portanto, vejo que no Brasil ainda há muito que melhorar para que a TV via web se torne um hábito de todos”.
Adriano Maciel, CEO da NetHorizontes, empresa que oferece serviços para Internet.

“No Brasil, o Google irá sofrer – em um primeiro momento – uma grande resistência dos canais de TV. Quem achar o modelo certo, que deixe de assustar as TVs e produtoras, e comece a trabalhar com a cooperação deles, será vencedor. O Brasil ainda não está preparado tecnologicamente para receber o conteúdo televisivo pela internet. As redes de banda larga são ruins. Além disso, as operadoras possuem contratos absurdos, com taxas de garantia de banda mínimas de 10%, e as melhores operadoras possuem ainda uma capilaridade pequena. Tudo no Brasil demora e passa por resistências políticas, mas, nesse caso, a chance é grande de termos sucesso, porque o brasileiro, culturalmente, adora TV e internet. Por outro lado, não acho que haverá a substituição de um meio pelo outro. Acredito que em algum momento, haverá convergência. Os aparelhos de TV já possuem Internet, já podemos usar Skype ou fazer compras pelo aparelho. Com o tempo, isso vai se misturar”.
Christian Pinheiro, sócio-diretor da Broadneeds, empresa especializada em soluções de tecnologia para comunicação virtual.

Pegando carona na discussão, vale lembrar que, na última sexta-feira, foi lançado em Goiás o programa Banda Larga Popular. Através da parceria entre Estado e operadoras, serão oferecidos planos com valores populares para contratação de internet, com velocidade mínima de 512 kbps. Fica a dica para o país!

E qual é a sua opinião?

Crédito da foto: Sarah Reido

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